quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Percepções


Em busca do sagrado feminino, acabei me perdendo. A cada nova investida para conseguir encontrar uma faísca dessa força tão primordial eu sentia que afundava ainda mais no fundo do lago que é mina alma.
Senti quando houve uma aproximação, eu estava exausta pelas diversas tentativas, flutuava à deriva, ao olhar para o alto vi minha própria imagem, um EU mais vibrante, eu me olhava e sorria, essa outra forma de mim mesma esticava sua mão em minha direção, e eu estiquei a minha até que a ponta de nossos dedos se tocaram e uma conversa iniciou-se a partir deste toque.



- Oi Bartila, o que ainda faz no fundo deste lago?
- Não tenho certeza...quem ou quê é você?
- O que você têm procurado incessantemente?
- O que todas buscamos, nosso sagrado feminino, a conexão com nossa origem.
- Você procura fora o que está dentro, jamais irá encontrar qualquer coisa fora de você, seus olhos devem estar virados sempre para o seu interior, todas as sensações, todos os sentimentos, são eles que te guiam nesta jornada interna que a fará resgatar do fundo do teu ser a tua origem e o feminino do qual você tanto precisa para se sentir novamente inteira.EU sou teu sagrado feminino, e EU sou você!

A onda energética que senti pulsar dentro de mim me fez tremer, senti meu corpo em catalepsia, a imagem daquele EU foi sumindo como bolhas de água e o peso que me segurava dentro do rio se soltou de meus tornozelos. Eu pude sentir uma liberdade intensa, e apesar de ainda estar dentro da água, não sentia o peso de ser arrastada para cada vez mais fundo, pois agora que eu começava a redescobrir quem sou, eu estava cada vez mais próxima da superfície.



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